9/16/2010

O Bar

Assim que me localizei minimamente e comecei a respirar novamente, alguém (acho que foi o Arlindo Grund) avisou que as surpresas apenas começavam e, de repente, minhas irmãs, sobrinha, filha, amiga do coração e, de quebra, o marido dela e uma sobrinha, se materializam, saídos sei lá de onde.

Já não sentia as pernas... lembrei de trazê-las?

Depois de realizadas as devidas apresentações (Arlindo, Bella, produção. Ah! o cara estranho era o "Sr. Diretor" - reservarei um capítulo a parte para ele... rs...), fomos até um restaurante lindinho, mas não me perguntem o nome porque eu simplesmente estava tão nervosa que nem a tal delegacia eu consigo lembrar onde é, se um dia precisar...
Entramos. Um MONTE de gente, o local totalmente esvaziado de mesas e cadeiras e o set de filmagem montado como se estivesse lá desde sempre.

Segunda pegadinha: me deram o contrato de autorização de uso de imagem, na correria, para assinar (fico me perguntando se eu assinaria se soubesse uma parte do que me esperava...) e rapidamente solicitaram que eu me posicionasse para gravar as primeiras cenas. Os mais curiosos podem ficar tranquilos: não faço a menor idéia do que assinei, tanta foi a correria que se estabelecia, afinal, era dia de jogo da copa e o bar abriria para receber os afoitos torcedores.

Umas vinte e cinco pessoas perguntaram se eu gostaria de tomar uma água ou café e minha primeira reação foi pedir um wisky duplo sem gelo, mas eram apenas nove horas da manhã e lembrei que estava em jejum - ia para a inauguração da padaria, lembram? Como seria improvável que eles deixassem eu me aproximar da fantástica estante atulhada de garrafas maravilhosamente alcoólicas que ocupava toda uma parede do estabelecimento, me contentei com um café.
Sentei. Na cara do gol, bem de frente a uma TV de plasma enorme, com a galera da família e amigas à esquerda e atrás de mim e Arlindo e Bella do meu lado direito - a uma distância segura, bem entendido.

Orientações sobre ficar calma, tentar argumentar o máximo possível, explicações sobre como funcionaria a gravação e, se não me engano, algumas palavras em prol de me fazer entender o que era o programa. Eu conhecia o similar, que passa no Discovery, mas a versão tupiniquim - juro pelos deuses - eu nem sabia que existia.
Todos prontos? Gravando... creiam: pra fazer essas primeiras cenas tinha um terço da torcida do Corinthians trabalhando, imaginem para fazer uma novela! Tem gente com câmeras, gente com luzes, gente com papéis, gente com gente, gente com maquiagem e gente que eu não faço a menor idéia do que fazia lá.

Papo vai, papo vem e foi nesse momento que eu vi ninguém menos do que eu mesma naquela TV. Malditas meninas da Metô!

9/14/2010

Festa estranha com gente esquisita

E lá estava eu, totalmente despreparada para o que vinha a seguir. Sabe aquelas amigas de muuuuuuiiiiittttttooooo longa data, do tipo que já entrou em tudo que é roubada com a gente? Pois é... tenho várias. Mas uma, em especial, é a grande companheira. Cláudia Carla (que ela não me veja escrevendo seu nome. É assim mesmo! rs...), me pede socorro. 

Como já estivemos juntas em milhões de situações inusitadas, estranhei pouco o pedido para acompanhá-la à "inauguração de uma padaria" às nove horas da manhã de um dia de jogo do Brasil na Copa. Festa estranha, com gente esquisita e lá vamos nós, até a LAPA, isso mesmo. Inauguração de padaria de manhã, na Lapa... meus deuses.

A referência para chegar era uma delegacia de esquina. O "moço" que convidou para a inauguração ligava enlouquecido no celular da Claudia e eu já achava que a roubada era maior do que o esperado: mais um maleta grudento no pé da coitada...

Chegamos, estacionamos na vaga mais próxima e caminhamos na direção da tal delegacia. Quando estávamos EXATAMENTE no meio da rua, na frente do xilindró, começa uma gritaria e um monte de gente correndo na nossa direção.

Sabe aqueles lampejos de insanidade que passam rapidamente pelo pensamento em situações inesperadas? Na minha cabeça passou exatamente o que segue:

"fuga da delegacia! e agora??? fod...!" e imediatamente após, em questão de segundos, quando finalmente registrei que aquela turba gritava o MEU nome:

"o que diabos é isso? os bandidos daqui me conhecem?"

C-O-M-P-L-E-T-A-M-E-N-T-E  L-O-U-C-A. Pobrezinha de mim...

Tudo isso muito rápido, e eu estacionada no meio da rua, quando chegam duas pessoas LINDAS e me cercam, uma de cada lado (com mais um monte de gente e câmeras e coisas ao mesmo tempo), perguntando:

"Oi! sabe quem somos nós?"

E eu olhava pra um e olhava pra outro e nada de lembrar de onde eu conhecia aqueles dois. Acostumada que estou a trabalhar com populações menos favorecidas, dificilmente encontro com gente linda assim, ainda mais nessa hora da manhã, quando sequer minh'alma voltou para o corpo.

Como eu relutasse em responder, um pouco em estado de choque, outro tanto numa dúvida cruel e como corríamos o risco de ser atropelados (isso mesmo, ainda estacionada no meio da rua), chega um cara mais estranho ainda e muito delicadamente solicita que caminhemos para a calçada afim de poupar maiores estragos, enquanto eu, ensandecida, gritava:

"CLAUDIA CARLA, VOCÊ SABIA DISSO? CLAUDIA CARLA, VOCÊ SABIA DISSO?"

e a apavorada amiga escondida embaixo de um coqueiro que, de esconderijo nada tinha...

Enfim, se apresentaram, me contaram que eram do Esquadrão da Moda do SBT, me mostraram o cartão com meu nome no valor de R$ 10.000,00 e só depois perguntaram se eu topava participar.

Pergunta tola... que atire a primeira cédula quem diria não!

E lá fui eu, sem imaginar o massacre que estava por vir.
Aguardem... já, já tem mais.

9/07/2010

Esquadrão da Moda

Adiei a empreitada por um bom tempo, mas finalmente, lendo a simpática Serafina do domingo, deparo com o inigualável Paco Rabane me incitando a iniciar esse relato.
Tudo começa com a adorável Gabriele, acreditando que tia Sandrinha merecia um upgrade para levantar o astral. Em suas caminhadas pela web ela encontra algo absolutamente inspirador e inusitado: Esquadrão da Moda.
Isso mesmo. Programa que "conserta" o guarda roupa de pessoas que precisam de ajuda urgente no quesito moda e estilo, nos mesmos moldes do primo de língua inglesa da TV paga.
Ocorre que o conceito de moda e estilo é absolutamente variável e, ao mesmo tempo, programas desse tipo têm como missão primeira o desafio de angariar audiência e não de ser fiéis a opiniões e cenários de vida, ou considerar a personalidade de suas vítimas.
Enfim... começa aqui a odisséia pela qual passei, desde a abordagem até agora, com todos os efeitos colaterais e impressões que permearam o processo.
Ao descrever todo o processo, a partir do olhar muito particular que possuo sobre moda, estilo, tv e personalidade (ou ausência dela), tenho que reconhecer que muito do que vi e vivi no programa foi precioso para reavaliar algumas medidas, proporções e combinações nas quais eu pecava, no entanto, seria impossível para mim deixar de opinar, né não?
Antes de mais nada, convido os que não tiveram a indescritível oportunidade de assistir ao meu massacre no SBT, para que dêem uma olhada no programa em qualquer dos links abaixo:

No SBT: 

ou

No Youtube: 
http://www.youtube.com/watch?v=zjSTlHZv024 - dividido em 4 episódios.

Se você já participou de algum programa do Arlindo e da Bella, entre em contato, estou iniciando uma pesquisa e sua história será muito importante para mim.

Bem vindos ao "reality" dessa "bittersweet symphony" em rede nacional.

7/04/2010

Metamorfose ambulante

A louca está em processo.
Dolorido, turbulento, delicado e cheio de surpresas.
Tirando os cadáveres do armário e cremando as mágoas. Extraindo do fundo das próprias cinzas uma nova pessoa, um novo olhar sobre eu mesma.

Hoje, mais do que nunca, sinto que novas perspectivas se apresentam, com expectativas de melhores dias, dias de visual novo, foco diferente e coragem renovada.

Aguardando as emocionantes cenas dos próximos episódios...
Quem viver, verá.

6/08/2010

Era uma vez... (la continuación...)

A louca finalmente está encontrando seu lugar no mundo, trabalhando com saúde mental. Como é empolgante e motivador trabalhar com a disfunção legítima, sem máscaras nem maldades políticas...
Aguardem notícias dos próximos episódios.

4/23/2010

Era uma vez uma louca...

Bem vindos a nova série que estou lançando para contar as agruras e aventuras da "louca" neste mundo insano.

Para ilustrar o que me move nesta empreitada, vou contar uma história que ouvi do meu pai, há alguns anos atrás, para vocês terem uma idéia do tom da brincadeira.

"Era uma vez um cara que achava que o mundo estava louco. Tanto fez e tanto falou, que o mundo começou a achar que louco era o cara. Adivinhem quem foi internado?"

Neste primeiro episódio, a história da placa.
ils s'amusent...

Com placa, sem placa

Sexta-feira nublada e lá estava eu tomando meu café quando tocam insistentemente a campainha. Pensei comigo: “cobrança?” (pensamento recorrente nestes tempos de revisão de caminhos).
 
Atendi a porta e qual não foi minha surpresa quando deparo com um galhardo policial militar, empunhando sua prancheta, com ares de quem sabe bem como usá-la.

- Pois não? - fina e atenciosa, do alto dos saltos das minhas havaianas cansadas.

- A senhora faça a gentileza de retirar o seu carro da frente da casa porque o caminhão quer passar.

À minha frente uma fera impávida: um imenso caminhão de transporte de produtos, encalhado entre a esquina e o belíssimo carro prata parado na minha porta.

- Eu teria imenso prazer em tirar o veículo se ele fosse meu, seu guarda. Até porque outro dia mesmo, em situação semelhante, ninguém teve a gentileza de me informar antes que ocorresse uma desgraça e outro caminhão levou um pedaço da minha lanterna de lembrança, deixando um prejuízo considerável.

O policial, sempre compenetrado e enfático, retrucou, afirmando que não interessava o outro dia porque, na ocorrência em tela, ele não estava presente. Interessava que o proprietário do veículo aparecesse, caso contrário o estrago poderia ser maior que a multa lavrada com exatidão clínica por sua lépida caneta.

Inconformada com o exagero da afirmação, perguntei se não seria o caminhão que estaria em não conformidade com a lei, porque resido numa estreita rua central da cidade, com movimento contínuo, carros estacionados por todos os lados e frequentemente esses episódios acontecem, pois a mesma não comporta tamanha circulação de pesos pesados.

- Minha senhora, não tem placa proibindo a circulação do caminhão. Ademais, seria necessária toda a especificação técnica de peso e altura máxima em uma eventual placa para que veículos de grande porte não trafegassem por esta via. Se não tem placa, ele passa onde quiser. E o veículo infrator não está respeitando a exigência de distância de cinco metros da esquina para estacionar, aferida na lei.

- Cinco metros? – me espantei. Mas não existe nenhuma sinalização dizendo que o veículo está parado em local proibido. Não está sobre a faixa de pedestres, nenhuma faixa amarela na calçada, nada de placa.

- A senhora conhece o CTB? Pois eu estudei o CTB e esse carro está em desacordo com a lei. Tá multado. Neste caso não precisa de placa.

Não sei se por garantia ou covardia, depois da minha argumentação explicando que conhecia bem o Código de Trânsito
Brasileiro, o pouco simpático policial multou o veículo, ajudou o caminhão a passar numa manobra de legalidade improvável, acompanhado de seu colega de profissão, que me fitava de dentro da viatura, carrancudo, afirmando:

- É. Não precisa de placa mesmo.
Vai entender...

Art. 90 do CTB
. Não serão aplicadas as sanções previstas neste Código por inobservância à sinalização quando esta for insuficiente ou incorreta.

4/22/2010

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