3/27/2007

Consciência de todas as cores

Assistir de forma imparcial as diferentes nuances do movimento negro, principalmente no mês de novembro, é impossível. A cidade toda fica colorida de ações afirmativas, fóruns de discussão, eventos e lembranças constantes de que a questão racial, e principalmente a do negro brasileiro, é imperiosa e faz parte das grandes pautas do nosso país, de maneira incontestável.
No entanto, ainda registramos manifestações contrárias na sociedade, na mídia e em instâncias muitas vezes insuspeitas, que surpreendem não pela agressividade, mas pela força dos ecos que produzem.
Excetuando-se nações africanas, somos o país com maior contingente negro do mundo. E somos um país racista e excludente.
A exclusão não passa apenas por condições de sobrevivência. Faz parte de um processo que alimenta a pior das agressões – a institucionalização das diferenças que, aliada a um sentimento de “não ser” incorporado profundamente, produz consciências entrincheiradas em batalhas que, a exemplo do movimento gay, deveriam ser a antítese do significado que a palavra “luta” sugere.
Explico. Séculos de opressão ao povo negro se acumulam no imaginário do tecido social promovendo mecanismos reativos a toda e qualquer ação, no sentido de tentar diminuir diferenças e aglutinar interesses. Por outro lado, há uma profusão de exemplos de políticas públicas, organizações não-governamentais e iniciativas que ao invés de somar, segmentam ainda mais e abusam do discurso de quem acredita que detém a solução de todos os males dos quais não sofre. O movimento gay foi pródigo no sentido de transformar humores no caminho da livre expressão e do exercício de colocar-se no mundo. Sabiamente, utilizam ferramentas do marketing e transformam, aos poucos, o que provocava medo em moda. Hoje vemos gays que são expoentes das artes, executivos de empresas, intelectuais, gente de expressão inquestionável que não precisaram vestir a fantasia da heterossexualidade para obter respeito, ao contrário do que muitas vezes ainda observamos na questão racial, no viés equivocado de “embranquecer” emblematicamente o negro de sucesso.Há que se instituir um movimento único, pró-ativo, de somar esforços. Algo que elimine as barricadas de todos os lados, comprovando na prática, que não existem vilões e vítimas hoje, mas uma nação apoiada nos números de uma miscigenação e de um retrato cultural, que não deixam dúvidas sobre sermos todos, brasileiros.

Um comentário:

Anônimo disse...

A questão racial negra é diferente de tudo que pensamnos.Mesmo dentro do Movimento Gay os/as negros/as não tem as mesmas visibilidades e oportunidades que os outros Gays.
Esta profusão de ex. de politicas públicas e Ongs, seja estratégia dos/as negros/as para que consigam quebrar este sistema perverso de discriminação e racismo que após tantos anos ainda promove estes absurdos.