3/27/2007

Outubro de 2006

Dia dois. Recebo diversos telefonemas comovidos que me contam, de todas as partes do nosso grande ABC, a comoção provocada pelo resultado das urnas no primeiro turno. Telefonemas petistas.
Não havia mais júbilo pelos candidatos que ganharam. As comemorações legítimas, porém efêmeras, foram todas nubladas pelos números da campanha presidencial.
Alguns choravam, outros traziam nas vozes o tom preocupado de quem vê estremecer suas convicções e certezas. O segundo turno trouxe uma enxurrada de desabafos e culpas (sempre dos outros...) que me fizeram questionar posicionamentos, angústias e estratégias, inclusive as minhas.
Votei no Lula. Mesmo levando em conta que o PT que vemos, desenhado nos noticiários, passa longe do partido que encantou minha adolescência. Mesmo considerando que alguns dos nossos ilustres nomes deveriam ser duramente sabatinados, para descobrir se estudaram na mesma cartilha ideológica que nos fez acreditar que os únicos caminhos possíveis eram o da ética e da transparência.
Ah! Como eu gostaria de saber, para além de partidos, siglas, legendas, o que leva as pessoas a arriscarem suas reputações, seus nomes, nossa confiança e até a imagem que seus filhos e suas famílias têm delas, exclusivamente porque resolveram tomar caminhos mais curtos, para fins “quase” e/ou “nem sempre” justificáveis.
Ainda assim, votei no Lula. E não porque ele independe do partido, enquanto ícone, como sugeriram uns e outros. Puro engano.
Votei no Lula porque sua história e a do PT são inseparáveis, porque ainda trazem o referencial da garra e da persistência contidas nos rostos simples que observo nas plenárias e que não perderam as marcas das batalhas diárias, das conquistas honrosas.
Votei no Lula porque acredito que, cheios de coragem, vamos resgatar nossa fé, juntar os cacos que lideranças equivocadas espalharam nesse país e assumir que erramos sim, mas estamos mais do que dispostos a reparar profundamente nossos erros.Votei no Lula porque, nesse movimento, também voto no que há de melhor em cada pessoa que, assim como eu, acredita que a aposta feita está além de pessoas. Porque essas transgridem, transmutam suas razões e transferem as suas culpas, mas passam. E há de chegar o dia em que assistiremos um país feito não apenas dos nossos mais belos sonhos, mas da força que nada compra: a de sobreviver, construir e criar, mesmo contra todas as expectativas.

Um comentário:

Anônimo disse...

O votar já requer acreditar, que é independe da coragem. Quando votamos não arriscamos nossas reputações, nossos nomes,nem mesmo a imagem que nossos filhos e suas famílias têm delas (pessoas), quando muito nossas confianças, votamos por acreditar que nossas idéias são próximas das de quem elegemos para nos representar e ponto. Acredito que os ideais do PT que consta no estatuto e regimento continuam os mesmos,e ainda nos encantam. Sinto aque algumas personalidades realmente mudaram e ou se desencantaram.