Mulher serve pra esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque...
Mulher no volante, perigo constante...
Se for desfiar o rosário das muitas frases e pensamentos sobre as impropriedades que o nosso sexo-nada-frágil tem que administrar, o espaço disponível para essa missiva seria escandalosamente restrito.
No entanto, evitarei mastigar novamente antigas mazelas femininas porque, diante de anos de batalhas e questionamentos sobre a condição do mulheril mundo afora, preocupa-me a urgência em defender mais posições femininas, legítimas na essência, porém distorcidas no tecido social.
Estamos inseridas no mercado de trabalho? 55% do total, se não me engano. E o que assisto nos escritórios? Mulheres competentes, detalhistas, qualificadas e equivocadamente caricatas – imitando homens no assédio moral de companheiros(as) ou subordinados(as), esquecendo que sofrem por colocar a vida profissional acima de outros aspectos e exigindo esforço e investimento excessivos, independente de prioridades alheias e sem nenhuma sensibilidade na atribuição de tarefas. Qualidades(?) notadamente masculinas...
E o que direi das lendárias paródias da mulher perfeita - “Amélias”, mas que andam enrustidas, defendendo um papel fora de casa e vivendo outro no mundo paralelo da família, criando e educando os “machos decadentes” do futuro, nos moldes obsoletos do passado? Das mulheres que assisto nos palcos diários, brilhantes na argumentação e emocionalmente frágeis no que diz respeito às relações humanas e afetivas? E os rostos endurecidos em guerras travadas pelo fim da violência doméstica com outras mulheres, mas que ainda admitem em suas vidas a segurança do desamor acomodado e sem expectativas? Marias de todos os nomes que abandonam convicções ideológicas por medo da solidão.
Não sou defensora inconteste da igualdade entre os sexos. Acredito em justiça e oportunidade, mas não na forma dos abismos relacionais que estamos construindo entre homens e mulheres, mulheres e mulheres. Também recuso-me a maquiar aspectos negativos da minha vida em favor de um discurso do qual não questiono a razão, mas as práticas hipócritas.
Lutemos, pois, pela soma de esforços masculinos e femininos. Pela total ausência de falsidade e imagens rançosas em nossas relações. Como na voz da grande Bethânia, em texto de Fauzi Arap – “Eu vou te contar que você não me conhece. E eu tenho que gritar isso, porque você está surdo e não me ouve. (...) Ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não a mim. (...) O jogo perigoso que pratico aqui, busca chegar ao limite possível de aproximação, através da aceitação da distância e do reconhecimento dela. Entre eu e você existe a notícia, que nos separa. Eu me delato. Tu me relatas. Eu nos acuso e confesso por nós. Assim, me livro das palavras com as quais você me veste”.
Bem vindos todos os dias da Mulher. Feliz Mulher pra vocês!
Mulher no volante, perigo constante...
Se for desfiar o rosário das muitas frases e pensamentos sobre as impropriedades que o nosso sexo-nada-frágil tem que administrar, o espaço disponível para essa missiva seria escandalosamente restrito.
No entanto, evitarei mastigar novamente antigas mazelas femininas porque, diante de anos de batalhas e questionamentos sobre a condição do mulheril mundo afora, preocupa-me a urgência em defender mais posições femininas, legítimas na essência, porém distorcidas no tecido social.
Estamos inseridas no mercado de trabalho? 55% do total, se não me engano. E o que assisto nos escritórios? Mulheres competentes, detalhistas, qualificadas e equivocadamente caricatas – imitando homens no assédio moral de companheiros(as) ou subordinados(as), esquecendo que sofrem por colocar a vida profissional acima de outros aspectos e exigindo esforço e investimento excessivos, independente de prioridades alheias e sem nenhuma sensibilidade na atribuição de tarefas. Qualidades(?) notadamente masculinas...
E o que direi das lendárias paródias da mulher perfeita - “Amélias”, mas que andam enrustidas, defendendo um papel fora de casa e vivendo outro no mundo paralelo da família, criando e educando os “machos decadentes” do futuro, nos moldes obsoletos do passado? Das mulheres que assisto nos palcos diários, brilhantes na argumentação e emocionalmente frágeis no que diz respeito às relações humanas e afetivas? E os rostos endurecidos em guerras travadas pelo fim da violência doméstica com outras mulheres, mas que ainda admitem em suas vidas a segurança do desamor acomodado e sem expectativas? Marias de todos os nomes que abandonam convicções ideológicas por medo da solidão.
Não sou defensora inconteste da igualdade entre os sexos. Acredito em justiça e oportunidade, mas não na forma dos abismos relacionais que estamos construindo entre homens e mulheres, mulheres e mulheres. Também recuso-me a maquiar aspectos negativos da minha vida em favor de um discurso do qual não questiono a razão, mas as práticas hipócritas.
Lutemos, pois, pela soma de esforços masculinos e femininos. Pela total ausência de falsidade e imagens rançosas em nossas relações. Como na voz da grande Bethânia, em texto de Fauzi Arap – “Eu vou te contar que você não me conhece. E eu tenho que gritar isso, porque você está surdo e não me ouve. (...) Ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não a mim. (...) O jogo perigoso que pratico aqui, busca chegar ao limite possível de aproximação, através da aceitação da distância e do reconhecimento dela. Entre eu e você existe a notícia, que nos separa. Eu me delato. Tu me relatas. Eu nos acuso e confesso por nós. Assim, me livro das palavras com as quais você me veste”.
Bem vindos todos os dias da Mulher. Feliz Mulher pra vocês!

Um comentário:
Sou e estou solidário a voces todas, sempre.
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