3/27/2007

Velhas verdades

Mulher serve pra esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque...
Mulher no volante, perigo constante...

Se for desfiar o rosário das muitas frases e pensamentos sobre as impropriedades que o nosso sexo-nada-frágil tem que administrar, o espaço disponível para essa missiva seria escandalosamente restrito.
No entanto, evitarei mastigar novamente antigas mazelas femininas porque, diante de anos de batalhas e questionamentos sobre a condição do mulheril mundo afora, preocupa-me a urgência em defender mais posições femininas, legítimas na essência, porém distorcidas no tecido social.
Estamos inseridas no mercado de trabalho? 55% do total, se não me engano. E o que assisto nos escritórios? Mulheres competentes, detalhistas, qualificadas e equivocadamente caricatas – imitando homens no assédio moral de companheiros(as) ou subordinados(as), esquecendo que sofrem por colocar a vida profissional acima de outros aspectos e exigindo esforço e investimento excessivos, independente de prioridades alheias e sem nenhuma sensibilidade na atribuição de tarefas. Qualidades(?) notadamente masculinas...
E o que direi das lendárias paródias da mulher perfeita - “Amélias”, mas que andam enrustidas, defendendo um papel fora de casa e vivendo outro no mundo paralelo da família, criando e educando os “machos decadentes” do futuro, nos moldes obsoletos do passado? Das mulheres que assisto nos palcos diários, brilhantes na argumentação e emocionalmente frágeis no que diz respeito às relações humanas e afetivas? E os rostos endurecidos em guerras travadas pelo fim da violência doméstica com outras mulheres, mas que ainda admitem em suas vidas a segurança do desamor acomodado e sem expectativas? Marias de todos os nomes que abandonam convicções ideológicas por medo da solidão.
Não sou defensora inconteste da igualdade entre os sexos. Acredito em justiça e oportunidade, mas não na forma dos abismos relacionais que estamos construindo entre homens e mulheres, mulheres e mulheres. Também recuso-me a maquiar aspectos negativos da minha vida em favor de um discurso do qual não questiono a razão, mas as práticas hipócritas.
Lutemos, pois, pela soma de esforços masculinos e femininos. Pela total ausência de falsidade e imagens rançosas em nossas relações. Como na voz da grande Bethânia, em texto de Fauzi Arap – “Eu vou te contar que você não me conhece. E eu tenho que gritar isso, porque você está surdo e não me ouve. (...) Ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não a mim. (...) O jogo perigoso que pratico aqui, busca chegar ao limite possível de aproximação, através da aceitação da distância e do reconhecimento dela. Entre eu e você existe a notícia, que nos separa. Eu me delato. Tu me relatas. Eu nos acuso e confesso por nós. Assim, me livro das palavras com as quais você me veste”.
Bem vindos todos os dias da Mulher. Feliz Mulher pra vocês!

Um comentário:

Anônimo disse...

Sou e estou solidário a voces todas, sempre.