9/05/2007

Por água abaixo

Inevitável viver a experiência de tentar segurar água com as mãos. Por mais que as fechemos em concha, o líquido sempre encontra o caminho para escapar impune à nossa vontade. A menor brecha vira uma grande válvula de escape.
Quando pequenos, a melhor diversão é sempre aquática. Que criança não faz a festa com o mar, uma piscina, um tanque ou mesmo uma bacia cheia d’água? Qual delas, ao fitar recipientes que distorcem a realidade, preenchidos lindamente com fluídos coloridos, luminosos, reflexivos e transparentes, não é capaz de demorar-se por horas no encanto e no deslumbramento do que vêem?
Elemento mágico na infância e absolutamente simbólico na vida adulta, a água representa nossas emoções. Incontidas, represadas, amenas como um lago sem ventos ou violentas como um maremoto, elas dão o tom das nossas respostas a todas as situações cotidianas.
Fluidicamente incontidas, emoções nem sempre podem ser controladas e acabamos por deixar se esvaírem em rompantes de indignação, raiva, mágoa profunda ou mesmo alegria extrema. Maneira salutar, mesmo que acidental ou aguda, de diminuir a pressão que esses sentimentos provocam.
Observo os diferentes quadros pintados por ilustres atores da política brasileira, em todos os níveis e por todos os partidos, e percebo ondas de indignação e decepção oscilando no cenário dos meus humores.
Assumo os riscos de tsunamis internos que agitam minhas falas, minhas relações e minha opinião sobre o mar de impunidade e falta de ética que agita noticiários e ameaça meus parâmetros de humanidade e civilidade.
Torço para que a lama que encobre nossas instituições seja varrida por uma chuva de ações efetivas e eficazes, que façam mais do que tampar o buraco da sem-vergonhice nacional. Quero mais. Quero o orgulho de perceber que cessaram definitivamente, as enxurradas que arrastam a fé dos brasileiros para o ralo.

2 comentários:

Unknown disse...

Um desabafo interessante de quem vê a política por um ângulo diferente do dos munícipes.

Anônimo disse...

Será,não. É necessário que nesta chuva que tu disseste de ações efetivas e eficazes, em meio a estas águas tivessem misturado mulheres e homens retas/os, incorruptíveis, em fim gente do bem, a ocupar os lugares destes que aí estão fazendo e espalhando esta lama toda e para todos os lugares,para que então pudessemos todos/as por a cabeça no travesseiro e dormir o sono dos justos.