11/29/2007

E agora, João?

Parafraseando a poesia, se desenha tanto na música quanto nas linhas que ora alinhavo, um clima carregado de sentimento de derradeiro fim, um incômodo de logro e decepção.

Vejo-me assistindo o fim do mundo em micro-escala, mas não menos desastroso do que o verdadeiro estrago do apocalipse para o PT de Santo André, ainda que recheado de declarações de unidade partidária que, lamentavelmente, não convencem mais.

Desesperos a parte, tenho a impressão de que somos levados por pequenas ondas de insatisfação, marés de boatos e verdades assustadoras, tsunamis de egos feridos e prontos para batalhas onde, como diria uma grande amiga e defensora de causas tão perdidas quanto as minhas, “eles brigam e quem apanha somos nós”.

É certo que há muito eu não via a militância tão motivada. Os ânimos exaltados provocaram adrenalina suficiente para alimentar discursos heróicos, argumentos válidos e depoimentos crédulos, de quem já estava cansado da vida ensaiada de gado. Aqueles que, como eu, já aposentavam a fé que fez desse, um dos grandes partidos da história desse país.

As prévias que decidiram o candidato petista para concorrer a grande vaga do principado de Santo André em 2008, moveram montanhas, dividiram águas, fizeram o milagre da multiplicação do non-sense e, creiam, matou de rir e de chorar amigos e inimigos do PT.

Quem assiste de dentro do olho do furacão está em estado de choque. Quem vê o filme sentado confortavelmente na platéia, entre estupefato e divertido, não consegue crer que o titã do ABC tropeça em suas próprias pernas e ameaça cair.

Os relatos que ouço de lados diferentes podem ser classificados de anedotas, boatos, fofocas, estórias de quem não desconfia que todos e ninguém estão falando a verdade. Neste caso, até esta é conjuntural. Quisera eu descobrir, se a enormidade de histórias absurdas seriam contadas, tão inadvertidamente, se todos estivessem “de bem”.

Vendetas, temperadas às vezes com a mais límpida e descarada máscara do diz-que-me-disse próprio das crianças, mas que não escondem o esfacelamento de um projeto que tem embalado a cidade há muitas décadas.
Resta-nos descobrir, por nossos próprios meios, que o importante não é quem fez o que ou quem está com a razão, porque vilões e vítimas somos todos, mas que se preste atenção nas sutilezas que contemplam, verdadeiramente, a grande piada.

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