3/24/2010

A louca

Cá estou, novamente, traçando algumas linhas catárticas e colocando no mundo meus olhares: críticos, delirantes, apaixonados e, bem de vez em quando, serenos.

Na linha ilusória que separa a realidade da fantasia eu caminho, passo a passo, de maneira nem sempre cautelosa, mas absolutamente fiel ao que vai nos meus cantos ocultos, a fé pichada nas paredes dos meus porões e as convicções fora de moda que guardo como tesouros que um dia sei que estarão em voga novamente.

Reinicio minhas letras nesse espaço, com aquela esperança típica das promessas de ano novo, que esquecemos ao longo do tempo em favor da correria e dos atropelos da vida. Tentarei me manter fiel à proposta de alimentar esse pedaço virtual de mim constantemente.

Não apago o que já foi, sou o que vivi até hoje. Não faço manutenção do que não acredito. Ignoro os olhares que, nada furtivos, adicionam ao meu nome uma qualidade gritada que facilita a digestão dos que não me entendem – a louca.

Louca sou quando insisto em relações transparentes mesmo quando o mundo não acredita mais nem em relações, nem em transparências. Louca me torno quando vejo as injustiças cotidianas que tantos relevam, por acharem que “não adianta dar murro em ponta de faca”. Louca me enxergam quando grito argumentos que tentam colocar ordem no caos institucionalizado que banaliza absurdos, arrogâncias, corrupções e maldades.

Me encontro hoje catalogada nas fileiras dos “descompensados” e já tive medo e raiva de ser assim classificada. Tolice. Já dizia minha louca e sábia irmã: “...sou louca mesmo. E tomem cuidado os que se descuidarem comigo porque a loucura me dá poder”.

Quero crer que minha insanidade é inofensiva. Mas esse é um julgamento que deixo a cargo dos meus pares. Afinal, sabemos nós o que é inofensivo hoje? Conheço muitos psicopatas com ares inofensivos, quase angelicais... rs...

Bem vindos à re-inauguração desse espaço, que celebra a vontade que tenho de interferir numa realidade(?) com a qual nem sempre concordo e que, acredito, podemos tornar melhor. 

Nem que seja por aquele instante fugidio e repleto de impasse que caracteriza os surtos e que há de assustar, principalmente, aqueles que se acostumaram com a mesmice das relações viciadas, da falta de ética e das mentes mofadas.

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